A “Crónica” dor nas costas. A Lombalgia! Um problema sem solução? Por Carla Nogueira

A “Crónica” dor nas costas. A Lombalgia! Um problema sem solução? Por Carla Nogueira

Quantos de nós já não foram confrontados com alunos, familiares ou amigos que apresentavam dores de “costas”? Ou, até mesmo nós, quantas vezes somos alvo de dor de “costas”? Atualmente, estima-se que, cerca de 80% da população vai ser, ou já foi sujeita a esta problemática, conduzindo sujeitos a suspenderem os seus trabalhos e ou a recorrer a tratamentos de forma constante. (Abreu et al., 2015)

A dor nas “costas”, como é mencionada na linguagem popular, é muito recorrente em algumas profissões, com o avançar da idade e com o stress mecânico e degeneração que a coluna vertebral é sujeita ao longo da vida (sedentarismo, excesso peso) (Hartvigsen et al., 2018).

A coluna vertebral é um segmento móvel em que as suas características anatómicas e estruturais permitem uma tolerância elevada às forças a que está sujeita.

Para que haja maior tolerância às forças externas que condicionam a coluna vertebral, existe um “jogo” de forças internas. Assim, uma reflexão sobre a importância o sistema muscular e neural é determinante (Asseiceira, 2020).

A lombalgia apresenta um diagnóstico muito generalizado e por vezes confundido com outras patologias. Deste modo, o diagnóstico por imagiologia é o mais utilizado para garantir maior exatidão na sua deteção. (Abreu et al., 2015).

A etiologia pode ser inespecífica ou estrutural.

No que concerne a etiologia inespecífica, vários autores referem que a mesma não possui uma causa específica, são aquelas em que a causa anatómica ou neurofisiológica não é identificável (Abreu et al., 2015). Quando a dor é de origem estrutural, esta pode ser (Will et al., 2018) (Imamura et al., 2001):

  • Estenose do canal raquidiano – Como podemos verificar na imagem a estenose consiste no estreitamento do diâmetro ântero-posterior do canal medular, provocando uma compressão no nervo, origina a irradiação da dor para os membros inferiores

  • Anomalias estrutural da lombossacral – A imagem em baixo evidencia um exemplo de uma anomalia lombossacral onde se pode observar uma alteração das características das vértebras da lombar e do sacro.

  • Espinha Bífida – consiste da falta de união do processo espinhal posterior. As imagens em baixo evidenciam uma vértebra normal, a espinha bífida oculta e espinha bífida.

  • Espondilolistese – ocorre quando uma das vértebras da coluna desliza da sua posição normal, geralmente deslocando-se para frente sobre a vértebra que se encontra imediatamente abaixo.

  • Protrusão – consiste do abaulamento localizado ou difuso do disco resultante de alteração degenerativa do anel fibroso

  • Hérnia discal – ocorre quando o material do núcleo pulposo se desloca através da rutura do anel fibroso;

  • Lombalgia degenerativa – Leva a um comprometimento dos discos e inter-apofisárias, provocando uma rigidez e um bloqueio de movimento.

A Lombalgia que advêm da estrutura carece, por vezes, de um tratamento invasivo, existindo posteriormente a necessidade de suporte muscular, em fase inicial através da fisioterapia e posteriormente de um acompanhamento especializado por um técnico de exercício físico.

Segundo a ACP (American College of Physicians) a lombalgia pode ser avaliada em três estágios:

  • Aguda – quando os sintomas permanecem a um período inferior a 4 semanas;
  • Sub-aguda – quando as queixas permanecem num período de 12 meses;
  • Crónica – Quando superior a 12 meses.

Alguns estudos destacam melhorias na dor lombar através de fármacos, reabilitação física multidisciplinar, ajuda psicológica e exercício físico. Foram também, verificadas melhorias na dor quando há mudanças da sua na qualidade de vida.(Casazza, 2012) (Qaseem A et al., 2017)

Ainda que, a investigação pouco evidencie, de forma significativa, os benefícios do exercício físico no tratamento desta patologia, o aumento da coordenação, controlo e força dos músculos que controlam e sustentam a coluna trazem melhorias moderadas na lombalgia crónica. (Wells et al., 2014) (van Middelkoop M et al., 2010)

Para finalizar, permitam-me refletir sobre um paradigma, com o qual, inúmeras vezes somos confrontados. Enquanto profissionais do exercício físico convivemos com a tentativa de encontrar respostas para ajudar os clientes.

Na minha ótica, será indispensável partirmos do pressuposto que não sabemos o que está dentro do corpo de cada um, e como cada estrutura responde ao estímulo que lhe é aplicado. Sempre que possível, será importante recorrer à ajuda de profissionais de saúde para nos auxiliarem nas tomadas de decisão. Sermos precisos e com probabilidade mínima de erro é fundamental para um serviço de excelência. Como foi possível evidenciar, temos um papel importante, ainda que pouco investigado, na melhoria da qualidade de vida de pessoas com lombalgia. Cabe a cada um de nós querer saber mais e tomar decisões conscientes e sustentadas na individualidade de cada indivíduo.

 

Bibliografia

Abreu, M., Furieri, F., Silva, A., Costa, M., & Fagundes, D. (2015). Síndrome do piriforme, lombalgia ou lombociatalgia. Existe Diferença? Revista Estação Científica(14), 1 -15.
Asseiceira, P. (2020). A melhor “postura” a adoptar por Pedro Asseiceira. Exercise School Consult. 7 de Abril de 2020, disponível em https://exs.com.pt/a-melhor-postura-a-adoptar-por-pedro-asseiceira/
Casazza, B. (2012). Diagnosis and Treatment of Acute Low Back Pain. American Family Physician, 85(4), 343 – 350.
Hartvigsen, J., Hancock, M., Kongsted, A., Louw, Q., Ferreira, M., Genevay, S., Hoy, D., Karppinen, J., Pransky, G., Sieper, J., Smeets, R., & Underwood, M. (2018). What low back pain is and why we need to pay attention [Versão eletrónica]. THE LANCET, 391, 2356-2367. Consult. 2 de Abril 2020, disponível em https://www.thelancet.com/action/showPdf?pii=S0140-6736%2818%2930480-X.
Imamura, S., Kaziyama, H., & Imamura, M. (2001). Lombalgia. Revista de Medicina, 80 (ed.esp.pt 2), 375 – 390.
Qaseem A, Wilt TJ, McLean RM, & M, F. (2017). Noninvasive Treatments for Acute, Subacute, and Chronic Low Back Pain: A Clinical Practice Guidelina From the American College of Physicians. Clinical Guidelines Committee of the American College of Physicians, 514 – 530.
van Middelkoop M, Rubinstein SM, Verhagen AP, Ostelo RW, Koes BW, & van Tulder MW. (2010). Exercise therapy for chronic nonspecific low-back pain. [Versão eletrónica]. Best Pract Res Clin Rheumatol, 193-204 disponível em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20227641/.
Wells, C., Kolt, G., Marshall, P., Hill, B., & Bialocerkowski, A. (2014). The effectiveness of pilates exercise in people with chronic low back pain: a systematic review. PLOS One, 9(7).
Will, J., Bury, D., & Miller, J. (2018). Mechanical Low Back Pain. American Family Physician, 98(7), 421 – 428.

Carla Nogueira

Formação base mestrado em Ed. Fisica e desporto, formações complementares Master treino de Força - EXS, Personal Trainer, Aulas de Grupo, Trx.