Mais Autenticidade no Fitness, por Hugo Moniz

Mais Autenticidade no Fitness, por Hugo Moniz

No Fitness há muito que se fala em criar e ajustar uma experiência mais motivadora junto dos clientes para os atrair para a prática regular de exercício e para os manter motivados  nessa mesma prática.  No entanto, e segundo os dados fornecidos ao mercado, não estamos a conseguir progredir na captação e manutenção de praticantes de exercício organizado, uma vez que a taxa de penetração e de manutenção do mercado nos últimos 8 anos não se tem alterado significativamente. Os dados indicam-nos que em 2010 o número de praticantes situavam-se nos 600 mil sócios e que a taxa de abandono média estava estimada nos 68%. (IHRSAGlobalReport2010). Já em 2018 os dados indicam-nos que o número de praticantes situavam-se nos 592,8 mil sócios , e que por cada 100 novos sócios, 65 desistiram ao final de um ano (Barómetro Fitness em Portugal AGAP, 2018 ).

Entendemos que é necessário uma profunda reflexão na estratégia de comunicação  da atracção e na forma como estamos a entregar a experiência de treino aos clientes (Delivery).

“O que nos faz mesmo feliz é gastarmos o nosso tempo e dinheiro satisfazendo-nos por uma autenticidade

 

Tendo em consideração esta frase, Joseph Pine, pai da economia da Experiência, considera como fundamental para o valor económico: os clientes, a qualidade, mas acima de tudo a autenticidade da experiência. Para nos ajudar a enquadrar o tema; Autenticidade, Exercício e Fitness, apresenta-se um quadro sucinto esquematizando a evolução económica do valor para contextualizar a Actualidade do fitness:

 

A autenticidade tornou-se a nova sensibilidade dos consumidores, uma clara evolução do valor económico dos bens e serviços que se valorizam na diferenciação, customização e qualidade, ao qual o Fitness não é excepção pois o serviço prestado embora necessário não é suficiente.

 

REALIDADE OU SONHO?

Passaram-se mais de 30 anos de Fitness em Portugal e não nos parece que as necessidades dos clientes no passado possam satisfazer as actuais. Os clientes evoluíram e a sua sensibilidade também. A marca “Fitness” via GOOGLE, FACEBOOK, INSTAGRAM E APPS continua a estar rotulada como corpos definidos e silhuetas fantásticas, programas de treino rápidos e simples, metodologias capazes de transformar corpos em 30 dias, transformações milagrosas, sempre com muita alegria e felicidade com mensagens motivacionais altamente inspiradoras! Uma clara e excessiva atracão que nos parece estar demasiado assente “no parecer melhor” e não “no sentir-se melhor”. No nosso entender, é necessário repensar nas estratégias comunicação e de entrega para poder corresponder à nova sensibilidade do consumidor.

Nosso entender, a sensibilidade dos clientes, está muito assente na aquisição de hábitos de vida saudável que lhes permitam estar mais protegidos contra a doença e mais capazes para os seus desafios do dia-a-dia, tendo os clientes 35 anos de idade ou 80. O Exercício tem como nunca, uma oportunidade fantástica de comunicar de forma mais pedagógica, explicando genuinamente que é uma peça integrante e vital para uma vida mais forte e saudável.

 

POR UMA SAÚDE MAIS FORTE

Há muito que médicos, cientistas, professores e investigadores se dedicam a uma melhor compreensão dos benefícios do exercício para prevenir e tratar doenças, mas nunca tanto como agora. Já “Hipócrates (considerado o pai da medicina científica, 400ac) entendia os benefícios da actividade física e do controlo da ingestão de alimentos, como fundamentais para uma saúde equilibrada”.  No decorrer dos últimos anos, o Exercício tornou-se uma constante nas recomendações de boas práticas por parte das mais prestigiadas organizações científicas e governamentais dos países mais desenvolvidos:

  • New England Journal of Medicine,
  • The Lancet,
  • Elsevier – Preventive medicine,
  • Bangkok Declaration on Physical Activity for Global Health and Sustainable Development 2016
  • Organização Mundial de Saúde (WHO 2011 …),
  • Sociedade Portuguesa de Cardiologia em 2017,
  • Plano Nacional para a Promoção da Atividade Física (DGS),
  • (muitos outros…)

Fazer Exercício já não é considerado como uma nova moda ou hobby e proliferam metodologias e equipamentos com o fim de tornar esta prática mais qualitativa e de acesso mais fácil.

No entanto a disseminação de informação não contextualizada conduz a uma aleatoriedade da sua prática, por vezes consumada pela ignorância dos praticantes, mas muitas outras da responsabilidade dos próprios profissionais, negligenciando os elementos estruturantes de uma actividade física que se pretende sempre mais segura, principalmente pelo real papel da estimulação física adaptativa, por permitir reais adaptações cardio-neuro-musculo-articulares, potenciadoras da saúde ortopédica, metabólica, cardíaca e psíquica.

 

ENTENDER AS VERDADEIRAS NECESSIDADES DOS CLIENTES

Para contextualizar será fundamental considerar as necessidades gerais da população e para melhor entender o seu “mind-set” será necessária uma melhor autenticidade na comunicação, segmentando-a;

  • Estima-se que 67% da população é sedentária e que 49% não considera o exercício como importante ou interessante (Sociedade Portuguesa de Cardiologia 2017).
  • A população sofre de excesso de peso e de doenças metabólicas (…), uma parte da população portuguesa vive sobre um ritmo altamente frenético e desregulado (Sociedade Portuguesa de Cardiologia 2017).
  • 36% da população indica sofrer de dor crónica (permanente há mais de 6 meses) o que afecta directamente a economia nacional pelo aumento da taxa de absentismo, baixos níveis de performance e tolerância ao estímulo intelectual/físico (Improving the Current and Future Management of Chronic Paint – Proposal 2010).
  • As dores na coluna, as desordens musculares, a dor cervical e a osteoartrite encontram-se no topo das principais doenças crónicas (Global Burden of Disease, The new england journal of medicine 2017).
  • Estima-se que em 2035 tenhamos mais de 3 milhões de indivíduos (quase um terço da nossa população) com mais de 60 anos (Maria João Rosa Valente – Pordata).
  • O treino de força deve ser a componente principal dos programas de saúde pública (…) Duas sessões de treino de 20 min por semana sem uso a resistências demasiado elevadas, são suficientes (Elsevier – Preventive medicine).
  • A concentração de ginásios encontra-se dividida da seguinte forma: Lisboa 30%, Porto 18%, Braga 9% e Setúbal 10%, Aveiro 6%, Leiria 6% (Barómetro do fitness em Portugal 2018).
  • Modalidades de Fitness que necessitam de um maior e mais especifico acompanhamento profissional e um nível de experiencia mais especifico e direccionado, como é o caso do Cycle, running, Box, Rowing, Barra, Hiit, Exercício Clínico …

 

A segmentação dos clientes, identificando de forma clara as suas necessidades e constrangimentos dos mesmos, e a adequação do treino em função do perfil dos clientes são ferramentas essenciais para o desenvolvimento de uma experiência enriquecedora para o cliente. A promoção de desenvolvimento do exercício com precisão, sempre clínico, seguro, eficaz e eficiente é fundamental, assim como fomentar nos clientes experiências autênticas, tornando-os mais felizes pelas suas sensações e melhorias graduais da sua saúde.

Neste Trade-Off; tempo, dinheiro e serviço. É pela sensibilidade do consumidor e autenticidade da experiência percepcionada “on demand value” que se definirá o preço justo do serviço prestado.

Quanto melhor e mais individualizada for a construção de um exercício melhor será a resposta fisiológica e tal determinará no nosso entender os graus de evolução e de valorização por parte do cliente.

 

PROFISSIONAIS DO EXERCÍCIO (TEF) COMO INDUTORES ÚNICOS DA EXPERIÊNCIA DE TREINO.

Com estes elementos estruturantes bem regulados, com profissionais cada vez mais especializados e genuinamente preocupados com os seus clientes, com clientes cada vez mais informados pelos mesmos valores poderemos consumar e promover uma melhor prática de exercício como um claro cuidado primário.

Os profissionais de Exercício (TEF) terão que continuamente evoluir na sua forma e essência, garantindo uma experiência de treino cada vez mais autêntica, segura, eficaz e eficiente, elevando desta forma a qualidade profissional e o reconhecimento profissional.

Nunca é demais relembrar que as organizações procuram sempre uma maior e melhor eficiência operacional (mais resultados com menos) e com a imparável evolução tecnológica torna-se muito mais fácil controlar e substituir pessoas nos processos. Por isso sejam verdadeiramente úteis para não serem trocados por aplicações e aulas virtuais.

O papel do Profissional de Exercício é imprescindível para a criação de experiências de treino autenticas, verdadeiramente ajustadas às necessidades dos clientes.

 

Com mais de 15 anos de diferentes experiências no fitness, actualmente leccionando em média 40 treinos personalizados por  semana, com contactos próximos com profissionais e entidades formativas nacionais e internacionais, recolha de feedback de aproximadamente 1000 alunos, inúmeras reuniões com directores desportivos, técnicos e director de clubes para perceber e analisar as necessidades plurais, com contacto permanente com as universidades nacionais, com excelentes relações com fornecedores da indústria, maquinaria e outros, com responsáveis pela criação e gestão de eventos específicos de exercício e força, consideramos poder dar mais um contributo válido sobre este tema, nunca deixando de agradecer a todos os parceiros, colegas e colaboradores com quem temos convivido ao longo destes anos.
Esperamos pois, contribuir para a discussão e para o fomento de um criticismo saudável, sempre em nome de uma maior importância do Exercício na nossa sociedade.

Hugo Moniz

FOUNDER & CEO EXS Exercise School, Mestre em Gestão Empresarial pelo INDEG - ISCTE e Licenciado em Educação Física pela ULHT.